www.diariodorock.com.br: A mosca na SOPA
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25 de jan. de 2012

A mosca na SOPA \\ Megaupload: fechado por pirataria ou interesses piores?


Há uma semana, na quinta-feira, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos derrubou os servidores do Megaupload e determinou a prisão de seu fundador, Kim Dotcom. Desde então, as coisas estão feias para quem trabalha com armazenamento digital. Vários sites menores têm alterado drasticamente seus modelos de negócios.

No entanto, ontem surgiu uma nova teoria, indicando que a morte do Megaupload tinha menos a ver com pirataria do que se pensava. Essa teoria resulta de um artigo publicado em 2011, que detalhava alguns serviços ainda não lançados pelo Megaupload, incluindo uma loja de música, chamada Megabox, e um serviço de distribuição de músicas que romperia definitivamente os laços que ligavam os artistas à indústria do entretenimento.

Isso foi relatado pela primeira vez no início de dezembro pelo site TorrentFreak, quando o Megabox ainda estava em estágio beta, mas já com apoio de parceiros como 7digital, Gracenote, Rovi e Amazon. O Megaupload lançou um vídeo anti-pirataria estrelado por seu dono e apoiado por artistas consagrados, enquanto travava uma batalha com associações estados unidenses de proteção de direitos autorais, tais como a RIAA e a MPAA. Também havia acabado de processar a Universal Music Group por bloquear injustamente a campanha lançada no Youtube pelo Megaupload. Portanto, o lançamento do Megabox pode ter sido apenas a gota d'agua.

Dotcom descrevia o Megabox como a arma do Megaupload para concorrer com o iTunes, e que eventualmente poderia oferecer filmes premium gratuitos através do Megamovie, um site que seria lançado pelo grupo em 2012. Este serviço transformaria o Megaupload, que deixaria de ser um mero local para armazenamento de conteúdo digital para tornar-se um concorrente de respeito, capaz de ameaçar toda a indústria do entretenimento.

O Megabox trabalharia com artistas sem contrato com gravadoras ou estúdios, permitindo que qualquer um pudesse comercializar suas próprias criações, ao mesmo tempo em que oferecia a eles 90% dos ganhos. Os artistas poderiam até mesmo optar por oferecer seus trabalhos gratuitamente e, neste caso, seriam pagos através de um serviço chamado Megakey. "Sim, é isso mesmo, vamos pagar os artistas, mesmo pelos downloads gratuitos. O modelo de negócios do Megakey foi testado com mais de um milhão de usuários e funciona", disse Kim Dotcom ao TorrentFreak, em dezembro. O Megabox faria isso ignorando as gravadoras, a RIAA e toda a indústria musical estabelecida.

O Megaupload era provavelmente grande o suficiente para sair vitorioso. Antes de seu fechamento, foi estimado como o 13º site mais visitado do mundo, respondendo por 4% de todo o tráfego da internet, em todo o planeta. Possuia 180 milhões de usuários registrados, e mais de 50 milhões de pessoas utilizavam seus serviços diariamente. Além disso, era um serviço aparentemente confiável para os artistas distribuirem seus trabalhos. O Megabox teria sua popularidade monetizada, repassando a maior parte dos lucros para os artistas.

"Você pode esperar vários anúncios do Megabox no próximo ano, incluindo acordos de exclusividade com os artistas, que estão ansiosos para se afastarem de modelos ultrapassados de negócios", disse Dotcom no ano passado. Mas isso provavelmente não vai acontecer. Kim Dotcom e vários outros executivos do Megaupload estão agora aguardando julgamento por acusações diversas, incluindo extorsão, lavagem de dinheiro e várias acusações de pirataria. Parece que, como Icarus, voaram muito perto do sol. Eles simplesmente tentaram bater de frente com toda a indústria do entretenimento, assumindo seus negócios com uma proposta inovadora e vantajosa para os artistas. Agora estão na cadeia!

20 de jan. de 2012

A mosca na SOPA \\ Trivium: vocalista Matt Heafy fala sobre o SOPA


Matt Heafy, vocalista do Trivium, postau uma análise detalhada e em profundidade em seu blog sobre o SOPA.

"SOPA é um artefato explosivo, escondido entre as pernas de um sorridente homem de negócios, acenando em um traje de ursinho de pelúcia e fazendo propostas indecorosas", escreveu Heafy na sua página pessoal no tumblr.

Heafy continuou: "Em termos legais - SOPA é um livro ao mar. O objetivo é lutar contra a pirataria on-line e restaurar e proteger os direitos dos criadores de conteúdo. Isso é um objetivo nobre. Mas ele quer muito mais poder do que isso. É como dar um míssil Tomahawk a um exterminador para ele atirar em uma colmeia de abelhas a partir de sua varanda. Claro, as abelhas morrerão, assim como tudo em um raio de cem jardas."

Embora Heafy obviamente se preocupe em ser pago, o líder do Trivium ainda se opõe a legislação. "Este projeto de lei, se aprovado - deve definir o nosso país com uma visão de futuro que volta para as idades de escuro da informação", afirmou Heafy.

19 de jan. de 2012

A mosca na SOPA \\ Duff McKagan: "parem de choramingar sobre o SOPA"


Por Duff McKagan para o Seattle Weekly de 19/01.

Traduzido por Nacho Belgrande (Se o Diário do Rock não coloca o nome dele, ele tem um Momento SOPA)

Sentado na mesma cadeira de sempre, assistindo às notícias da manhã na CNN nessa quarta-feira, eu, como todo outro estadunidense ligado a qualquer tipo de mídia, fui inundado com opiniões sobre a legislação antipirataria conhecida como PIPA e SOPA.

Tais legislações são para combater o roubo de trabalhos criativos como filmes e música por meio de sites no exterior. Mas quando eu me voltei pro Twitter e pro Facebook, eu vi uma avalanche de oposição contras as propostas de lei. Com licença, mas onde vocês estavam quando a pirataria começou a dizimar a indústria musical? Por que vocês não se manifestaram contra isso? Aqueles discos de graça eram bons, NÉ?

A fúria da classe profissional da internet é baseada no argumento que a abrangência de tais leis será ruim para os iniciantes, pode impedir o próximo YouTube, ou dar ao governo a habilidade de tirar do ar um site inteiro por causa de um link para trabalhos com registro autoral. Resumindo, eles são contra a lei porque acham que será ruim para os negócios relacionados à internet.

Ruim pros negócios. A legislação antipirataria poderia ser ruim pros negócios da Internet. Isso quase me deixa sem fôlego. A pirataria pela internet já matou metade dos negócios relacionados à música, e fez o prospecto de viver de música mais difícil para artistas de todo tipo. Por que o Google, o Facebook ou o Wikipedia nunca se solidarizaram com músicos, atores e escritores – a maioria dos quais nunca conheceu fama e fortuna – enquanto os trabalhos deles eram roubados sem dificuldade alguma em seus sites?

Onde estão os ‘fãs’, os amantes da música? Por que eles nunca fizeram um levante em nome dos homens e mulheres à frente e por trás dos microfones? Sim, sim, isso tudo é muito chato, não? É típico que o ‘roqueiro ricão’ fique esbravejando do palácio dele. Mas permitam-me que eu lhes diga algo, os peões que trabalhavam em estúdios e lojas de discos que tiveram que fechar graças à crescente pirataria nunca foram ricos, mas estão sem emprego.

As pessoas estão mesmo putas porque a Wikipedia vai sair do ar por um dia? Porque as pessoas sentem que seus direitos assegurados pela primeira emenda da constituição estão sendo ameaçados mesmo? Ou é porque elas estão com medo de perder acesso livre a Deadwood e ao Black Keys? Ou elas estão preocupadas que o próximo YouTube não conseguirá se estabelecer devido ao caro investimento em material registrado que os usuários carregam de graça enquanto investidores e iniciantes afirmaram que não poderiam ser responsabilizados por ações dos usuários? O Wikipedia tem milhares de voluntários e se gaba de que as informações contidas no site são precisas. Por que eles não podem regular violações a direitos autorais mais rigorosamente também? Muita encheção de saco?

O governo deveria poder fechar o Facebook porque um usuário posta links para conteúdo registrado? Claro que não. Mas deveriam o Facebook e o Google fazerem um serviço melhor ao monitorar – e pararem de lucrar – o acesso de seus usuários a conteúdo ilegal? Com certeza. E quer saber, eles são espertos o bastante pra dar um jeito.

Quando os assuntos são as indústrias que lidam com criatividade, não estamos falando hipoteticamente. Estúdios de gravação ao redor do mundo tiveram que fechar. Assim como lojas de discos. Estúdios cinematográficos sofreram. Muitos, muitos empregos foram perdidos. A subsistência de muitos foi afetada. As pessoas que fazem ou faziam dinheiro de vendas de discos não são ‘ o bandido’, quem pirateia e o rouba, sim. Então, cadê o grito do povo?

Como um músico praticante que viu essa indústria virar de pernas pro ar, e ver como a pirataria afetou todo artista desde os figurões do topo das paradas até os iniciantes independentes, essa reviravolta da PIPA é um tapa na cara.

Se, como se diz, as massas provenientes das mídias sociais conseguiram derrubar o regime de um ditador egípcio, elas podem certamente reverter a situação da pirataria pela internet.

A mosca na SOPA \\ Megaupload: site é fechado pelo FBI, fundadores indiciados


O site de compartilhamento de arquivos MEGAUPLOAD foi tirado do ar por violar leis de pirataria, segundo relatos. O jornal estadunidense New York Times afirma que a empresa – que, de acordo com o indiciamento feito por procuradores federais no estado de Virgínia, nos EUA, foi em certo momento o décimo – terceiro site mais popular do mundo – foi fechada e seus fundadores acusados formalmente.

Os procuradores afirmam que o serviço custou aos detentores de direitos autorais mais de 500 milhões de dólares em renda perdida, apesar de o Megaupload afirmar que eles sempre foram rígidos com qualquer queixa quanto a material pirateado.

A BBC, enquanto isso, noticia que as acusações criminais derivadas do caso incluem quebra de direito autoral, formação de quadrilha, violação de propriedade intelectual e lavagem de dinheiro. O FBI também supostamente congelou mais de 50 milhões de dólares em bens e já executou mais de 20 mandados de busca em nove países.

Uma declaração postada no web site do FBI dizia: “Essa ação está entre os maiores casos de violação de propriedade intelectual já conduzidos nos EUA e almeja diretamente o mau uso um site de armazenamento de conteúdo público e distribuição para cometer e facilitar crime de propriedade intelectual.”

Entretanto, antes de ser tirado do ar, o Megaupload se pronunciou textualmente: “O fato é que a grande maioria do tráfego de internet do Mega é legítimo, e estamos aqui pra ficar. Se a indústria de conteúdo quer tirar proveito de nossa popularidade, ficaríamos felizes de começar um diálogo.
Temos algumas idéias boas. Por favor, entrem em contato.”

No começo dessa semana, vários sites incluindo o Wikipedia saíram temporariamente do ar de modo a protestar conta o Stop Online Piracy Act (SOPA), a proposta de lei do congresso estadunidense que tem por objetivo atingir a pirataria online.

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