(Da coluna 'Dispatches', de Mick Wall, editor-chefe da revista Classic Rock inglesa, impressa originalmente na edição de abril de 2009 da revista).
'Juntar-me a DAVID LEE ROTH nos bastidores depois de um show na turnê para promover o disco 'Skyscraper', o entretenimento personalizado foi um pouco mais interessante, um pouco mais... sacana, do que conversa, cervejas e Marlboros...'
Foi um dos maiores - talvez o maior – show de rock n ' roll que eu jamais tinha visto. Quase 20 anos depois eu ainda penso em um que tenha sido mais espetacular, ou que eu tenha curtido mais.
David Lee Roth tinha acabado de lançar seu segundo disco solo, 'Skyscraper', e agora ele estava excursionando pelos EUA para promovê-lo. Esse era o famoso show com o ringue de boxe que descia das esquadrias até a mesa de som no meio da plateia, enquanto Roth dançava nele e a banda mandava 'Panama'; o mesmo show que tinha a prancha voadora de surf com a fumaça saindo da rabeira e que então levava Diamond Dave de volta pro palco; e o show que tinha facilmente a melhor banda que Dave já montou depois do Van Halen – estrelando Steve Vai mostrando o que ele chamava de suas 'tapeçarias sônicas' em sua famosa guitarra vermelha de três braços em forma de coração.
Eu vi o show em vários lugares naquela turnê, de Los Angeles a Londres e no caminho de volta. Mas claro que não houve nenhuma vez como a primeira vez, que foi no Centrum Arena, de Worcester, Massachusetts, em maio de 1988. Ainda que sua carreira solo estivesse prestes a mergulhar de bico uma vez que Vai e depois o resto da banda saísse e seus álbuns parassem de vender, Roth estava então no ápice de seus poderes, não somente como um 'performer' ao vivo, mas como uma personalidade fora dos palcos também.
Depois do show, no camarim, eu sentei ao lado dele enquanto ele destrinchava sua refeição pós-show composta de lagosta e arroz. Eu notei que ninguém falava com ele enquanto ele comia. E assim, não querendo interromper sua refeição, a qual ele fazia como um lobo devorando sua recém-capturada presa, eu conversei amigavelmente com o tecladista Brett Tuggle, sentado do meu outro lado.
De repente, Dave levantou-se e, sem dizer uma palavra, caminhou pra fora da sala, batendo a porta bem alto atrás dele. Eu olhei curiosamente pra sua relações-públicas. Ela suspirou e disse: ”Dave está puto porque você não está prestando atenção a ele.”
“O quê? Você está brincando?”
“Não. É melhor tentarmos achá-lo.”
Eu a segui pra fora do camarim e pelo corredor até que saímos pela porta de outra sala. Música alta bombava lá de dentro. Música alta, vozes altas e o que pareciam gemidos de prazer.
Ela bateu na porta e entramos. Era a sala particular de Dave nos camarins. Ele estava com Vai e seu empresário, Pete, o som de música soul saindo de um radinho e uma "dançarina especial" se movimentando pela sala fazendo o lance dela.
Cabelos negros, pele escura, olhos grandes, brilhantes e castanhos, ela parecia mexicana, talvez, ou italiana. Seja lá de onde ela fosse, ela era uma das jovens mais bonitas que eu tinha visto na vida. Enquanto dançava ela lentamente começou a se despir. Roth me cutucou nas costelas e riu. Daí ele me passou uma garrafa de Jack Daniel's – a única bebida alcoólica permitida em qualquer lugar dos bastidores, além de cerveja.
Eu ri também e tomei um trago. A garota continuou dançando e tirando mais de suas roupas até que estivesse completamente nua. Todos nós batíamos palmas acompanhando a música à medida que ela continuava dançando. Roth me passou um baseado. Eu dei uns dois pegas. A moça nua então veio e sentou no meu colo e começou a se esfregar, empurrando seus seios firmes contra meu rosto e sua bunda marrom e firme contra minha virilha. O termo "lap dancing" ainda não tinha sido inventado, mas era isso o que eu estava recebendo – uma garota linda se contorcendo em mim como uma cobra enlouquecida, "dançando" em meu colo. Roth apenas ficou lá sentado, do meu lado e rindo ainda mais alto.
Quando a garota se levantou e começou a dançar no colo dele, ele me passou um pequeno frasco marrom cheio com um pó branco – cocaína. Eu dei umas duas cafungadas e depois mais umas duas. Parecia pra mim, que naquele exato momento, que isso era o mais próximo de paraíso rock n' roll que um jacu branco como eu conseguiria chegar nos anos 80. De fato, se a noite tivesse acabado ali, eu teria ficado mais do que feliz.
Ao invés disso, quando tudo acabou e a moça tinha posto suas roupas de volta e saído, Roth e eu ficamos sentados na sala conversando por outras oito horas direto, ainda bebericando das garrafas de Jack Daniel's e cocaína, ainda falando e contando piadas. Na prática, ele me deu a maior - certamente a mais longa - entrevista de rock que eu jamais participaria. Só um detalhe: ele não me deixou gravar nada dela.
“Isso não é pra ser publicado”, ele insistiu. “Isso é só conversa de homem, entende? Pra gente se conhecer. Daí, uma vez que a gente se entenda, podemos fazer uma entrevista amanhã à noite.”
Amanhã à noite? Não tinha me passado pela cabeça que realmente poderia haver uma noite seguinte.
Quando finalmente deixamos o local do show eram nove horas da manhã. Nós protegíamos nossos olhos como vampiros à medida que emergíamos de trás do prédio e pra dentro da luz do sol.
Quando voltamos ao hotel ele me convidou para sua suíte para uma 'saideira'. Normalmente eu teria topado aquilo. Não dessa vez. Eu estava muito desesperadamente precisando de meu caixão cheio de terra.
Naquela mesma noite, Roth tinha que fazer o segundo dos dois shows no Centrum. Assistindo ele do mesmo lugar que eu tinha na noite anterior, eu não pude detectar nenhuma queda nos níveis de energia. Ainda me sentindo como 'bosta requentada', eu me perguntava como é que ele conseguia.
Depois, no camarim, sentado ao lado dele de novo enquanto ele comia outra lagosta, eu perguntei a ele. “Merda, Dave,” eu disse, “como é que você consegue?”
“Ah, cara,” ele disse, entre garfadas.
“Você tem que se lembrar, eu tenho praticado muito.”
Comentários: Eu sempre pensei que DAVE LEE ROTH fosse mais pra um PEDERASTA do que um ADDICTED.
O relato acima me surpreendeu!
19 de fev. de 2010
We are all on drugs \\ David Lee Roth: Strippers, Cocaína, Maconha e Jack Daniel's
Marcadores: DAVID LEE ROTH, we are all on drugs
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