Quem foi de galocha ao SWU se arrependeu. Sem lama ou chuva, quem foi ao festival teve que enfrentar mudanças bruscas de temperatura e outros "inimigos": o vento, a impiedosa poeira e as falhas técnicas. Sem falar das filas. O clima de festa predominou até a banda principal subir ao palco, o Rage Against The Machine.
A maioria não parecia dar muita atenção aos problemas quando começaram os shows mais esperados, como Los Hermanos. Mas, às 22h15, quando o Rage Against The Machine subiu ao palco Ar, e começou a dedilhar as primeiras notas de "Testify", tudo mudou.
Incentivados por declarações do guitarrista da banda, Tom Morello, que disse ser contra a segregação de pistas, como a premium, quem estava na área comum ameaçou invadir o espaço reservado à frente.
Parte da grade de segurança no meio do palco começou a ceder, para desespero da organização.
Funcionários do evento levaram ferros, paus e até cordas para tentar segurar o público ensandecido. O show foi interrompido. Nem os pedidos de paz do vocalista Zack de La Rocha serviram para acalmar os fãs, que também esperavam ansiosamente há 15 anos por uma apresentação da banda no país.
Para agravar a situação, após retomarem os microfones, houve mais de uma falha no sistema de som no equipamento do lado esquerdo do palco que desligou por alguns minutos. As placas de proteção do gramado em frente ao palco começaram a ser quebradas para tentar aplacar as grades, que começaram a ceder cada vez mais.
O Rage Against the Machine encerrou a tumultuada noite com "Freedom" e o hino "Killing in the Name". Para delírio geral.
Exceto por algumas pessoas que foram levadas ao posto médico pois ficaram sufocadas na grade, nada de mais grave ocorreu. A reportagem da Folha estava no local e viu que as pessoas tinham a a sensação de um desastre iminente.
DURANTE O DIA
O grupo Letuce, com qinho, inaugurou o festival, às 15h no Palco Água, com 20 minutos de atraso, para um público ainda mais preocupado em conhecer a Arena, repleta de brinquedos de parque de diversões e estandes promocionais.
O festival começou a ficar com mais cara de rock quando o grupo Infectious Groove empunhou suas guitarras bem afiadas às 18h no palco Ar, o primeiro que conseguiu roubar de vez a atenção da galera. O The Mars Volta também teve coro e surpreendeu pela quantidade de fãs.
Por volta das 19h os Mutantes fizeram uma apresentação marcada pelo clima nostálgico, tocando "To Top" e "Tecnocolor". Sem nenhuma surpresa, conseguiu fazer muita gente que nem era nascida no auge da banda "bailar".
Entre as atrações nacionais, a volta do grupo Los Hermanos ofuscou as demais. Marcelo Camelo arrebatou o público já na primeira música "Moça". Na seguida "Todo Carnaval" fez muita gente cantar junto aos gritos. Marcelo Camelo ainda agradeceu : "Soube que fomos a banda mais votada pelo público para tocar hoje no SWU. Tem muita gente aqui, é sinal de que gostam mesmo da gente".
DESORGANIZAÇÃO
Além de passar por uma revista rigorosa sob a presença de policiais, a distribuição de pulseiras que indentificavam os maiores de 18 anos ajudou a formar filas gigantes em frente a entrada e na bilheterias.
A reportagem da Folha apurou que alguns frequentadores que ficaram no camping demoraram até 4 horas para passar pela revista, que consistia em abrir malas e verificar todos os pertences antes de entrar no espaço reservado às barracas.
Porém, a demora foi muito mais por conta da desorganização e informações desencontradas sobre os procedimentos de entrada do que pelo procedimento de segurança. Ninguém sabia informar ao certo onde era preciso levar as malas ou retirar as pulseiras de acesso.
Outro equívoco foi o valor da cerveja. Em alguns locais custava R$ 5, outros R$ 6 a até R$7, e da mesma marca patrocinadora do festival. A reportagem também viu pessoas revoltadas atirando pedaços de pizzas frias e cruas (que custam R$ 8) em direção aos vendedores.
10 de out. de 2010
SWU Music & Arts Festival \\ Falhas técnicas de som e segurança quase estragam a festa
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